A COALIZÃO
QUEM SOMOS
NA MÍDIA
O QUE FAZEMOS
ATUAÇÃO
NOTAS E POSICIONAMENTOS
PUBLICAÇÕES
MONITORAMENTO
NOTÍCIAS
Instagram - Coalizão em defesa do jornalismo
X - Coalizão em defesa do jornalismo
Linkedin - Coalizão em defesa do jornalismo
Youtube - Coalizão em defesa do jornalismo
4.09.2026
Monitoramento

Ataques online à imprensa somam 2.630 registros nas duas primeiras semanas de campanha

Compartilhar no Whatsapp
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no Linkedin
Ataques online à imprensa somam 2.630 registros nas duas primeiras semanas de campanha

Mulheres foram alvo de cerca de dois em cada três ataques a jornalistas; 1.253 mensagens hostis estiveram relacionadas à cobertura da disputa presidencial

Num contexto em que a cobertura política ganha centralidade no debate público e mobiliza diferentes grupos nas redes sociais, a hostilidade contra a imprensa também ganha espaço. É o que revela o monitoramento realizado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, neste início da campanha eleitoral. Entre 16 e 29 de agosto, foram registrados 2.630 ataques, em postagens direcionadas a 91 veículos e 46 jornalistas, mas também contra a imprensa em geral, no X e no Instagram. 

Do total de ataques identificados, 1.548 ocorreram no Instagram e 1.082 no X, as duas redes sociais analisadas pelo monitoramento. Eles vieram de todo o espectro político, de apoiadores e candidatos da esquerda à extrema-direita. Embora o Instagram tenha concentrado o maior número absoluto de postagens estigmatizantes, os ataques foram proporcionalmente mais frequentes no X. Ao todo, foram analisados 61.989 posts, reposts e comentários no X e 457.235 posts e comentários no Instagram – a rede mais usada pelas candidaturas.

Deslegitimação do jornalismo

Os conteúdos revelam um padrão recorrente de deslegitimação profissional. Expressões como “jornalista militante”, “mídia golpista”, “caiu o pix”, “pesquisa comprada” e “pesquisa falsa” associam jornalistas e veículos à militância, parcialidade, manipulação e corrupção, insinuando que receberiam dinheiro em troca da cobertura eleitoral que realizam. Pesquisas eleitorais, entrevistas, sabatinas e análises políticas também aparecem como contextos para ataques que ultrapassam a crítica à cobertura, e questionam a própria credibilidade da informação jornalística.

Nas duas primeiras semanas de monitoramento, a cobertura da eleição presidencial motivou a maior parcela das postagens hostis à imprensa, com 1.253 ataques registrados, enquanto 397 estiveram associados à cobertura das disputas estaduais. Entre os estados, as campanhas eleitorais em São Paulo (80), Minas Gerais (77) e Rio de Janeiro (62) foram palco do maior número de mensagens ofensivas a jornalistas e meios. 

O predomínio do Sudeste não ocorre por acaso. Além de reunirem algumas das maiores populações e eleitorados do país, esses estados têm disputas políticas que frequentemente ganham repercussão nacional. Esse contexto ajuda a explicar o volume de ataques registrado e é importante para a leitura dos dados, já que números absolutos maiores não significam, necessariamente, que a hostilidade à imprensa seja mais intensa nessa região do que em outras partes do país.

Mulheres jornalistas são alvo de dois terços da violência

A violência apresentou uma importante dimensão de gênero. Dos 220 ataques direcionados a jornalistas específicos no X, 66,4% atingiram mulheres. No Instagram, elas foram alvo de 67% dos 273 registros. Natuza Nery, apresentadora da GloboNews, foi a jornalista mais atacada nas duas plataformas, com 61 ocorrências no X e 49 no Instagram, indicando como a hostilidade pode se manifestar de forma recorrente contra determinadas profissionais. 

Também foram identificadas agressões de caráter misógino, em que a tentativa de desqualificar o trabalho jornalístico se combina a ofensas direcionadas ao gênero da profissional, ampliando a violência para além da crítica à sua atuação.

Mesmo quando pontual, a violência pode vir em grande intensidade. Em 20 de agosto, Natalia Viana, cofundadora e diretora executiva da Agência Pública, procurou o influenciador Paulo Figueiredo para obter esclarecimentos durante uma apuração. A jornalista passou então a ser exposta e ofendida por ele nas redes sociais, em ataques de caráter misógino, que foram reproduzidos por seguidores de Figueiredo. A campanha de difamação foi compartilhada e apoiada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O episódio ajuda a dimensionar diferentes manifestações da violência online contra jornalistas mulheres: desde ataques recorrentes, perceptíveis pelo volume de registros, até ondas de assédio desencadeadas por episódios específicos. 

Veículos nacionais concentram as agressões

Veículos de cobertura nacional aparecem como alvos importantes da hostilidade identificada no período. No X, o g1 foi o mais atacado, com 390 postagens ofensivas registradas, seguido pelo Metrópoles (156), GloboNews (122), CNN Brasil (106) e Folha de S.Paulo (57). No Instagram, a GloboNews concentrou 636 ataques, seguida por O Globo (71), Metrópoles (64), Estadão (55) e UOL Notícias (36). A presença de veículos de alcance nacional entre os principais alvos também deve ser considerada à luz de sua maior audiência e número de seguidores nas redes, que ampliam a exposição de suas publicações e, consequentemente, as possibilidades de receber ataques. 

Toxicidade das plataformas

O X apresentou o maior índice de toxicidade entre as duas plataformas analisadas, com média de 38,2%, enquanto no Instagram essa média foi de 23,7%. A análise foi realizada pelo monitoramento da CDJor em parceria com o ITS Rio, utilizando a ferramenta Perspective API, do Google, que atribui a cada mensagem uma pontuação de toxicidade em uma escala de 0% a 100%. Quanto mais próximo de 100%, maior a probabilidade de o conteúdo ser percebido como tóxico pelos usuários.

Pressões sobre a imprensa ultrapassam as redes

Um caso emblemático do período ocorreu em Alagoas e chama atenção para o assédio judicial como uma forma de pressão sobre o jornalismo. Decisões da Justiça Eleitoral do estado determinaram a remoção de uma reportagem da Mídia Caeté e de uma postagem relacionada a esta cobertura no Instagram. A matéria tratava de mensagens em que o diretor de uma escola estadual oferecia auxílio financeiro a estudantes para comparecer a um evento com o deputado federal Rafael Brito (MDB-AL). Embora apresentasse o posicionamento das partes, a reportagem foi considerada propaganda eleitoral antecipada negativa, levando à retirada do conteúdo e à aplicação de multa ao veículo.

O episódio evidencia uma dimensão adicional a ser acompanhada durante a campanha. O uso de medidas judiciais contra conteúdos jornalísticos pode gerar um efeito inibidor sobre a cobertura, especialmente quando envolve informações de interesse público sobre candidatos e outros atores políticos.

Como funciona o monitoramento

Os resultados apresentados fazem parte de uma análise sistemática de publicações no X e no Instagram, com dados coletados e processados pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo. A partir deste primeiro levantamento, a CDJor publicará boletins quinzenais para acompanhar a evolução dos ataques ao longo da campanha.

A metodologia considera publicações e comentários que envolvem candidatos à Presidência, Congresso Nacional e governos estaduais; jornalistas e veículos, além de 652 termos e hashtags ofensivos. Os conteúdos filtrados passam por processamento e análise para identificar os ataques, suas características e o gênero dos jornalistas atingidos. Além dos dados das redes sociais, os boletins acompanharão casos emblemáticos de violência contra a imprensa praticados fora das redes no período eleitoral, incluindo episódios de assédio judicial e outras formas de pressão.

VeJA TAMBéM
Coalizão em Defesa do Jornalismo monitorará ataques contra profissionais da comunicação nas eleições de 2026
Coalizão em Defesa do Jornalismo monitorará ataques contra profissionais da comunicação nas eleições de 2026
Organizações vão mapear episódios de violência contra jornalistas e restrições à liberdade de imprensa no ambiente digital e fora dele. Monitoramento começou dia 16 e contará com boletins quinzenais
SAIBA MAIS
Última semana da campanha eleitoral tem pico de agressões contra jornalistas e veículos de comunicação
Última semana da campanha eleitoral tem pico de agressões contra jornalistas e veículos de comunicação
Diminuição de conteúdos sobre eleição no segundo turno não representou menos violência
SAIBA MAIS
X/Twitter volta à cena e Fortaleza vira epicentro de ataques online contra jornalistas
X/Twitter volta à cena e Fortaleza vira epicentro de ataques online contra jornalistas
Na semana de 14 a 20 de outubro, reta final do segundo turno, o monitoramento de ataques online contra a imprensa encontrou um total de 799 ofensas ao trabalho de jornalistas e meios de comunicação. Embora o número represente uma redução em relação ao registrado nas últimas semanas, duas tendências são destaque nesse período: o retorno do X/Twitter como principal plataforma de agressões a jornalistas e a inversão de centralidade dos ataques de São Paulo para Fortaleza.
SAIBA MAIS
Período eleitoral expõe agressões à imprensa de apoiadores da extrema direita
Período eleitoral expõe agressões à imprensa de apoiadores da extrema direita
Com o avançar do período eleitoral e a sequência de debates, entrevistas e inserções dos candidatos nos meios de comunicação, têm se multiplicado também ataques aos jornalistas que protagonizam as mediações ou tecem análises sobre as candidaturas. O destaque desta semana são as agressões realizadas por apoiadores de Pablo Marçal (PRTB), candidato à Prefeitura de São Paulo.
SAIBA MAIS
VEJA MAIS