A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) repudia a escalada de ataques à equipe do Conquista Repórter, organização jornalística de Vitória da Conquista (BA), em especial as ameaças contra a jornalista Victória Lôbo, diretora e cofundadora do veículo e integrante do Conselho da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Os ataques também atingem Afonso Ribas, outro jornalista da equipe.
As agressões foram enviadas por Whatsapp, Instagram e X (antigo Twitter) logo após o primeiro turno das eleições, em 5 de outubro, com comentários xenofóbicos contra a jornalista e o povo baiano, além de ofensas misóginas. Depois que o Conquista Repórter publicou um editorial, os dados pessoais da jornalista foram expostos e ela passou a receber, de números desconhecidos, mensagens com ataques racistas e misóginos. Afonso Ribas também foi alvo de ofensas homofóbicas. Nos dias seguintes, os ataques se tornaram ameaças diretas à integridade física da jornalista, e um boletim de ocorrência foi registrado.
As agressões e intimidações, com caráter racista, misógino, xenófobo e homofóbico, visam silenciar uma organização jornalística que produz conteúdo local em um município pequeno, em especial sua diretora executiva, que recebeu o maior volume de ataques, evidenciando o viés de gênero das ofensas. O jornalismo local é especialmente vulnerável em casos de ataques e intimidações, ainda mais quando realizado por mulheres e em organizações pequenas e médias. Em período eleitoral, esse quadro se agrava, ampliando a capilaridade e intensidade dos ataques.
É importante ressaltar que ataques digitais coordenados, sobretudo aqueles direcionados a mulheres jornalistas, constituem prática intimidatória à imprensa como um todo, na medida em que não visam apenas descredibilizar e intimidar uma jornalista, mas sim todas as mulheres que realizam a atividade jornalística. Segundo relatório da CDJor sobre o monitoramento de ataques a profissionais do jornalismo no primeiro turno das eleições de 2026 em redes sociais, em setembro as mulheres receberam quase quatro em cada cinco ataques dirigidos a jornalistas no X (77,3% dos ataques) e no Instagram (79,1%), com insultos misóginos e sexuais, exposição pessoal e ameaças à integridade física. Além disso, a Bahia foi o terceiro estado com mais agressões no período.
A CDJor manifesta solidariedade a Victória Lôbo, Afonso Ribas e à equipe do Conquista Repórter e solicita que as autoridades competentes investiguem os casos com celeridade, identifiquem e responsabilizem os autores e garantam a segurança da jornalista e toda a equipe do veículo. Pedimos ainda que as plataformas digitais adotem medidas para garantir a segurança dos jornalistas no ambiente digital. Atacar jornalistas é atacar o direito da sociedade à informação e, consequentemente, é um ataque à democracia.